13 de Julho: uma Praia Formosa

Voltamos!

E ainda mais satisfeitos! Afinal, nossas postagens tem gerado bons comentários e na última semana, mais pessoas começaram a seguir nosso blog! Isso nos faz ter a certeza de que estamos no caminho certo e ficamos muito felizes em saber que, com isso, mais pessoas se interessam por Sergipe e escolhem Aracaju como um novo destino.

Então, que tal conhecer um pouco mais da capital sergipana? Para este post, escolhemos um bairro que todo turista costuma conhecer: o bairro 13 de Julho. Mas a verdade é que muita gente restringe sua visita ao famoso calçadão – o queridinho dos aracajuanos. Seja para caminhar, correr, praticar esportes (voleibol, futebol, basquete…) ou apenas para subir no mirante e apreciar a bela vista do encontro dos rios Poxim e Sergipe, este é um local altamente frequentado e que reflete bem o espírito do povo deste lugar. Ainda assim, o 13 de Julho tem muito mais pra se ver, parar e curtir à beira rio.

Praia Formosa

Foi assim que o bairro ficou conhecido após surgir como uma colônia de pescadores. Antes disso, no século XIX, o local era chamado de Ilha dos Bois, e pertencia a uma tradicional família local. O local só passou a ser conhecido como “13 de Julho” em 1954, quando foi decretada a mudança para o novo nome, que fazia referência ao episódio ocorrido 30 anos antes: um levante que reuniu civis contra as forças militares locais, que queriam tomar o poder administrativo de Aracaju. Este fato, apesar de atualmente ser pouco conhecido, é uma parte importante da história da capital; de modo que deu um novo nome à “praia formosa”.

Durante anos, a Praia Formosa era frequentada por banhistas, por conta de sua proximidade com o centro; permitindo um acesso mais fácil do que a praia da Atalaia, por exemplo. Mas, depois da construção da ponte sobre o Rio Poxim, que prolongou o acesso de quem sai do centro até a Atalaia, os banhistas começaram a abandonar o bairro já conhecido como 13 de Julho, em detrimento do banho de mar.

Com a construção do calçadão e o posterior desenvolvimento imobiliário na região, o bairro passou a ser conhecido como área nobre da capital, com dezenas de casas e prédios luxuosos, além do comércio com foco no público de alto padrão. Hoje, o 13 de Julho preserva muito pouco de sua história, mas se apresenta contemporâneo e vivo; mesmo para quem o olha de passagem para outro ponto da cidade.

Da praia para um grande bairro

Para ir ao bairro 13 de Julho nem sempre é necessário querer. A Avenida Beira Mar é uma das mais movimentadas da cidade e faz ligação entre a zona norte e sul de Aracaju. Com isso, principalmente para os que se hospedam na Atalaia, como os cliente do Celi Hotel Aracaju, é comum passar pelo bairro ao visitar museus, memoriais e outros tantos pontos turísticos localizados no centro da cidade. Mas, que tal dar uma paradinha e descobrir o que você pode só ter visto de passagem?

Monumento_Aracaju_wikipedia

O monumento é obra do artista plástico Eurico Luiz e remonta a simbologia do nome da capital sergipana (Foto: Wikipedia)

Monumento Ser Feliz Aracaju: não tem essa pessoa que passe pelo Largo dos Rádio-Amadores, logo após o Iate Clube de Sergipe, e não note um grande monumento com uma arara e cajus em torno da frase “ser feliz Aracaju”. Obra do artista plástico Eurico Luiz, um paulista  naturalizado aracajuano, que tem várias outras referências espalhadas pela cidade, sempre utilizando elementos que simbolizam a capital sergipana. Esta sua escultura tornou-se um dos grandes símbolos de Aracaju: retrata suas principais referências e ratifica a felicidade pacata do povo que vive aqui. A foto aqui é obrigatória! Então, aproveite e, mesmo que de passagem, pare e fotografe. Nada melhor do que guardar a recordação de um lugar para ser feliz, não é?! 😉

Memorial de Sergipe: o prédio localizado na Avenida Beira Mar já chama atenção quando, logo na entrada, é possível ver duas estátuas: Lampião e Maria Bonita. Seu acervo iconográfico, bibliográfico e museológico soma mais de 20 mil peças, que contam um pouco do desenvolvimento de Sergipe e retrata alguns dos principais períodos da história do estado. Mantido pela Universidade Tiradentes, o Memorial também realiza exposições permanentes e itinerantes, sobre cultura, arte, arqueologia e muitos outros temas ligados à historicidade. Atualmente (Fevereiro/2016), ele encontra-se fechado, mas não podemos deixar de citá-lo nesta lista. Quem sabe quando você estiver por aqui já estará reaberto e terá a possibilidade de conhecer mais um local recheado de boas histórias. Clique aqui para conferir o site e um pouco mais sobre o local.

Espaço Cultural Yázigi Internexus: o espaço inaugurado em 1998 é de propriedade da escola de inglês Yázigi e possui um auditório e uma galeria de arte, com o objetivo de promover a cultura local para o melhor desempenho no ensino da língua inglesa para os alunos. No  auditório com capacidade para 80 pessoas são realizados aulões e palestras, além de peças de teatros, performances e shows, que também podem ser abertos ao público em geral. Já a galeria de arte expõe diversos artistas sergipanos e também serve como espaço para a promoção de eventos ligados à cultura. Quando estiver visitando o bairro, dá uma passadinha no local e confira o que está acontecendo por lá.

mangará

A fachada de casa do interior já mostra que o Mangará é um típico restaurante regional (Foto: site Restaurante Mangará)

Mangará: se você já veio à Sergipe, sabe que “Mangar” é uma palavra muito utilizada por aqui e tem como significado “caçoar, desdenhar”. Mas, apesar disso, Mangará não é futuro do presente deste verbo nordestino! 😀 O local é um restaurante  com um jeito todo sergipano e que serve as mais variadas comidas típicas de Sergipe e do Nordeste de segunda à domingo, das 17h40 às 22h, sendo que no primeiro dia da semana também abre para almoço das 11h40 às 15h. Além da comida, o lugar em si já é uma atração à parte: paredes decoradas, painéis para fotos e uma lojinha que vende artigos decorativos e comidinhas, que podem ser levadas como lembranças do local. Depois de tanto passear pelo bairro, vale a pena passar por lá.

João do Alho: esta indicação vem do próprio Caetano Veloso; então, a gente não pode deixar passar! Não entendeu? Explicamos! Em “Aracaju”, música do disco “Cinema Transcendental” de 1979, o Caetano canta a capital sergipana, fala sobre cajus, araras, o “melhor lugar” e cita o restaurante em sua música. A estrofe diz:  “Aracaju / Terra cajueiro papagaio / Araçazu / Moqueca de cação no João do Alho”. Se está recomendado pelo Caetano Veloso, confere lá!

E aí, gostou de nossas indicações de hoje? Para quem gosta de compras, o bairro 13 de Julho também possui diversas opções de lojas em diversas galerias. As residências antigas estão dando espaço a novos centros comerciais e restaurantes, e algumas poucas edificações verticais se insistem e persistem no desenvolvimento do bairro. Andando pelas ruas ou mesmo pelo calçadão, você  verá um pouco do que há de novo e antigo, bem representativo na cidade. Descobrir novo lugares é conhecer Aracaju de uma forma diferente: sentir-se aracajuano e entender o que significa “Ser Feliz Aracaju”.

 

Observação: dados e informações foram baseados em texto encontrados no site da Prefeitura de Aracaju,   da Unit – Universidade Tiradentes, da Wikipédia (Artigo sobre Lourival Baptista e sobre o bairro 13 de Julho), do Blog Aracaju Saudade, do site MUBE Virtual (sobre a escultura de Eurico Luiz) e do site do Governo de Sergipe (Agência Sergipe de Notícias). Foto da capa: Aluizio Accioly.

Santo Antônio: tradição e fé

Olá pessoal! O feriadão de Corpus Christi foi movimentado e deixou o Celi Hotel lotado de turistas que vieram aproveitar o início dos festejos juninos aqui em Aracaju. Queremos, primeiramente, agradecer a vocês que se hospedaram conosco, e convidar a todos para nos visitar durante o São João. Nosso hotel já está completamente decorado e preparado para receber a todos no clima junino. Anarriê!

O santo casamenteiro é o primeiro a ser comemorado no período junino

O santo casamenteiro é o primeiro a ser comemorado no período junino

Como já falamos semana passada, os festejos já se iniciaram por aqui. E neste final de semana, vamos comemorar o primeiro grande santo junino, que abre oficialmente a abertura dos festejos. Santo Antônio é popularmente conhecido como o “santo casamenteiro”: por este motivo, é grande o número de mulheres que cultuam o santo para arranjar um marido que seja “um bom partido”. Se você encontrar alguma imagem de Santo Antônio de cabeça para baixo ou mesmo dentro da água, não se assuste: é a manifestação da cultura popular que acredita que assim o santo atenderá aos seus pedidos, e de forma bem prestativa! Uma das muitas curiosidades que podem ser atribuídas aos devotos de Antônio.

Comumente também são realizadas as “trezenas”: como o próprio nome diz são 13 dias onde se cantam favores e fazem orações ao santo em troca da tão sonhada graça a ser alcançada. Uma tradição católica muito forte que se mantém, não apenas nas igrejas, mas nas casas dos fervorosos devotos de Antônio. E a fama de casamenteiro deu origem à diversas cantigas e versos, como: “Santo Antônio me case já / Enquanto sou moça e viva / O milho, colhido tarde / Nem dá palha nem espiga”. Então, se você está em busca de um amor pra toda a vida, recorra à Santo Antônio, ou, como dizem por aqui: “se apegue ao santo”!

O altares de Santo Antônio deixaram de ser tradição religiosa para se tornar cultura popular e folclore

O altares de Santo Antônio deixaram de ser tradição religiosa para se tornar cultura popular e folclore

Os altares de Santo Antônio também são uma tradição religiosa e que já se tornou também cultural. Um exemplo disso é a exposição “13 noites com Santo Antônio”, que está acontecendo desde o dia 1º de Junho, no Centro de Cultura e Arte (Cultart), um espaço da Universidade Federal de Sergipe. O evento reune diversos artistas plásticos, associações e pessoas da comunidade para montarem altares decorativos para o santo. O espaço está aberto diariamente e, às 20h, são realizadas as orações da trezena, que se iniciou na abertura do evento. A exposição ficará no local até o próximo sábado, dia 13/06, quando é comemorado o dia do santo.

E não pense que é só isso não, porque em Aracaju, o primeiro bairro da cidade carrega o nome do santo casamenteiro. Então, todos os anos, no dia 13/06, são muitas as comemorações realizadas no local, que conta com uma capela no ponto mais alto da região. Lá são celebradas missas, casamentos, batizados, além da procissão que arrasta fiéis pelas ruas do bairro louvando o santo e que, normalmente, acaba em festa, com muita música e comidas típicas do período.

Há ainda um fato interessante que é ligado ao santo e que também compõe um dos rituais do dia em que ele é comemorado: a distribuição de pães. Conta a história que Santo Antônio se compadecia tanto dos pobres que, certa vez, doou para os pobres todos os pães do convento onde era frade. Com isso, criou-se a tradição do “pão de Santo Antônio” e, assim, pequenos pães bentos são distribuídos como forma de proteger o lar daqueles que os tem, para que nunca falte comida à mesa. Todos querem garantir o seu!

A igreja de Santo Antônio em Aracaju realiza grande festa para comemorar seu padroeiro

A igreja de Santo Antônio em Aracaju realiza grande festa para comemorar seu padroeiro

Mas uma das tradições mais comuns do período está na queima da fogueira em frente às casas daqueles que se chamam Antônio ou que possuem alguém com esse nome morando no local. Então, se você vir a brasa queimando, pode chegar na porta bater palmas e perguntar por “Tonho” (que é o apelido mais comum para o nome). Você vai se tornar quase que uma pessoa da família. E aí sim, a festa fica completa! Andar pela cidade em um desse como esses é vivenciar o que há de mais autêntico na cultura local e sentir-se um verdadeira sergipano! E olha que esta é apenas a primeira festividade junina!

Se você quer conhecer mais sobre tudo isso e experimentar viver um autêntico festejo nordestino, venha para Sergipe, conheça Aracaju e hospede-se conosco. Consulte os valores aqui e faça sua reserva. Você vai descobrir como é bom poder se aquecer no calor da fogueira, dançar no ritmo marcado da zabumba e se deliciar com os sabores do milho. Santo Antônio, São João e São Pedro te esperam aqui!

Fotos: site Infonet

Já é São João no “País do forró”!

Nordestino que é nordestino já está contando os dias para o início da maior festa da região! Falta menos de um mês para o São João mas por aqui os preparativos já começaram. Em Junho, Sergipe se transforma no “país do forró”: o estado que é o menor da federação é responsável por uma das maiores festas entre os seus vizinhos. Aqui, os festejam se espalham por várias cidades em dias diferentes, de modo que o mês inteiro é de muita festa por todo lugar. E, tenha certeza, para quem gosta de conhecer os costumes e tradições de um povo, esta é a melhor época para vir à Sergipe: afinal, não existe nada mais autêntico que os festejos juninos para o nordestino. Já para o sergipano então, é como uma identidade.

Os trios de forró pé-de-serra animam e esquentam as noites com o autêntico forró

Os trios de forró pé-de-serra animam e esquentam as noites com o autêntico forró

E se você acha que nossa contagem começou cedo, está muito enganado. Várias festas com temas juninos já acontecem na cidade desde o início do mês de Maio; e são essas “prévias juninas” que delimitam o início da contagem até o dia 24/06. A verdade é que aqui o São João não é só um dia, ele dura o mês inteiro. As pessoas decoram as ruas e as casas, se arrumam com roupas típicas, as quadrilhas dançam, os trios de forró pé-de-serra tocam e todo mundo se anima para esquentar o período de chuva e clima mais ameno.

Em Aracaju, a festa mais tradicional é o Forró Caju que acontece na praça dos mercados, no Centro Histórico, e que reúne milhares de pessoas durante dias de muita música e animação. No palco principal e nos palcos alternativos, artistas locais e nacionais comandam a festa que começa antes do São João e termina no dia de São Pedro. Na Orla de Atalaia, um grande arraial é montado para mostrar a tradição sergipana com uma decoração cheia de bandeirolas, cores alegres, barracas com artesanato, a capela dos Santos Juninos e a animação das quadrilhas juninas, ao som de sanfoneiros que prometem animar a noite de todos, independente da idade. Na Rua São João, no Bairro Santo Antônio, o cenário é de concurso entre as principais quadrilhas do estado. Um espetáculo para ser visto e incentivado: é só escolher a sua favorita e torcer para que ela seja escolhida a melhor da cidade!

O Forró Caju reúne milhares de pessoas em noites de muita música e animação

O Forró Caju reúne milhares de pessoas em noites de muita música e animação

Uma opção mais cultural é visitar exposições e eventos realizados durante o mês de Junho que destacam a beleza dos festejos não apenas em Aracaju, mas em todo o nordeste. Na capital sergipana, todos os anos, é comum encontrar a exposição de altares de Santo Antônio. O “santo casamenteiro” também é um dos que são celebrados no período e a devoção se apresenta nos altares montados em favor do santo na busca ou em agradecimento da graça alcançada. No Museu da gente Sergipana, também é comum encontrar exposições temporárias sobre temáticas juninas, homenageando artistas locais ou destacando a tradição popular. Qualquer que seja a temática, sempre vale a pena conferir o que acontece por lá. Além disso, o Fórum do Forró, promovido pela prefeitura de Aracaju é uma excelente opção para conhecer um pouco mais sobre as figuras mais populares na propagação das raízes nordestinas. Cada ano, um artista é escolhido para ter sua trajetória apresentada e debatida, com foco em sua contribuição para a divulgação da cultura regional por todo o Brasil. Um programa rico em cultura e animação, pois, ao final do evento, é comum haver a apresentação de artistas locais.

O barco de fogo é uma das principais atrações do São João em Estância, no interior do estado

O barco de fogo é uma das principais atrações do São João em Estância, no interior do estado

E para quem deseja se aventurar pelo interior, difícil vai ser escolher em qual lugar aproveitar os festejos. Estância, Itaporanga D’Ajuda, Areia Branca, Capela, N. Sra. do Socorro… são apenas algumas das cidades que oferecem festejos durante todo o mês. Algumas delas, em períodos específicos e com atrações bem peculiares e autênticas, como a apresentação dos barcos de fogo de Estância e a festa do mastro em Capela, que são tradições originalmente sergipanas. E seja qual foi a cidade, lembre-se que tem sempre muito mais para se conhecer além dos festejos juninos: igrejas, centros de turismo e artesanato são o carro chefe de vários desses municípios. Não será muito difícil encontrar um lugar pelo caminho para saborear as delícias da região.

O Celi Hotel Aracaju também se enfeita para receber você no clima do São João. Durante o mês de Junho, as bandeirolas dão um colorido diferente ao hotel e uma mesa de degustação com comidas e bebidas típicas fica disponível para nossos hóspedes. Além disso, você vai poder conferir a apresentação de uma quadrilha junina dentro do hotel e interagir com os quadrilheiros. Tudo feito com muito cuidado para você aproveitar o melhor do período sem sair do hotel!

O Celi Hotel já está decorado e pronto para te receber no melhor São João do país!

O Celi Hotel já está decorado e pronto para te receber no melhor São João do país!

Durante todo o mês de Junho, vamos atualizar você com as programações do que deve acontecer em todo o estado nas comemorações dos festejos juninos para que possa planejar sua viagem para Sergipe durante o período. Aproveite para vivenciar as festas em nosso estado. Aracaju é a única capital nordestina com grandes comemorações juninas, ou seja, você não vai precisar andar muito para aproveitar o melhor da festa. Com certeza, desvendar toda esta cultura vai fazer desta uma viagem inesquecível, ou, como falamos por aqui “arretada de boa”! Até breve!

Um espaço para um mito sergipano!

Todo lugar guarda suas histórias, suas lendas e seus mitos. Aqui em Sergipe não é diferente! E esta semana um mito sergipano dos dias atuais recebeu uma grandiosa homenagem: um espaço de turismo com seu nome. O antigo terminal hidroviário de Aracaju, desativado há alguns anos, transformou-se num ambiente modernizado, aconchegante e com uma vista belíssima para o Rio Sergipe, chamado de Espaço Zé Peixe. Os mais novos podem não saber de quem se trata, os mais velhos contam seus feitos como lendas, mas José Martins Ribeiro Nunes, ou apenas Zé Peixe, foi, sem dúvida, o prático mais famoso na marinha brasileira. “Prático”?! Sim, e para quem não conhece a profissão, o sr. José Martins era responsável por guiar as embarcações que vinham de alto mar para o porto local, de modo que elas não encalhassem ao se aproximar da costa; depois, guiava-as de volta ao mar, atravessando o Rio Sergipe.  Até aí, tudo bem. Mas o diferencial dele é que seu transporte até os navios era feito sempre à nado!

Foto de Zé Peixe em um de seus mergulhos à serviço, no Rio Sergipe

Foto de Zé Peixe em um de seus mergulhos à serviço, no Rio Sergipe

Parece história de pescador, mas não é, não! Sua fama foi tão longe que se espalhou pelo país em matérias de programas de TV ou entrevistas com medalhões, como Jô Soares e Glória Maria. A vida de Zé Peixe, como ficou carinhosamente conhecido, virou documentário, artigo acadêmico, temática de eventos sobre a história de Sergipe e até livro! Sem falar de todas as premiações que recebeu ao longo dos seus 85 anos de vida, sendo 65 deles como prático: Medalha Almirante Tamandaré, Grão-Mestre da Ordem do Mérito Serigy, Cidadão Sergipano do Século XX, Condecorado com Escudo em ouro do Rio Grande do Norte… Alguns deste prêmios, foram resultados de atos verdadeiramente heroicos, como salvamento de velejadores que vieram do Rio Grande do Norte e quase naufragaram na costa sergipana, entre outros, que chegam a contar mais de 100!

Enfim, uma pessoa que teve tamanha importância e reconhecimento, até em nível nacional, precisava de um espaço para lhe representar. E que espaço melhor do que um prédio que fica às margens do rio que por tantas vezes Zé atravessou? Uma justa homenagem para o prático sergipano e um local que deve ser conhecido pelos turistas, para que descubram um pouco mais sobre Sergipe e sua história. E, finalmente, isto se concretizou!

A estátua em homenagem ao prático representa seus feitos durante todos os anos de trabalho

A estátua em homenagem ao prático representa seus feitos durante todos os anos de trabalho

Falecido em 2012, Zé Peixe recebeu inúmeras homenagens durante toda sua vida. Infelizmente, não está mais presente para conhecer o espaço que leva o seu nome, mas vários representantes da família, como sua irmã e sobrinhos, participaram da inauguração. O espaço, que tem como foco o público turístico que vem à Sergipe, integra o centro histórico de Aracaju e conta com um balcão de informações, lojas com artigos de artesanato, restaurante e um ambiente destinado à contemplação do mar. A estátua de bronze do homenageado que foi erguida no local é uma representação do seu trabalho e do que fez com que o sr. José Martins deixasse de ser apenas mais um prático para se transformar no Zé Peixe, mito sergipano.

Seja sergipano ou turista, conhecer o Espaço Zé Peixe é uma oportunidade de descobrir mais sobre  este ilustre sergipano, nossa cultura e ainda admirar a beleza do rio. Um novo cartão postal a ser incorporado à nossa bela cidade. Mais um motivo para conhecer Aracaju e descobrir que Sergipe tem muito a te oferecer.

Fotos: site Turismo Sergipe e Jornal do Beltrão

Artesanato de tradição: um pouquinho de Sergipe para levar pra casa

Olá pessoal!

Às vésperas do feriadão do Dia do Trabalhador, Aracaju já começa a receber alguns dos seus turistas. Gente de todos os lugares do país vem em busca de um lugar tranquilo e sossegado para aproveitar o fim de semana prolongado. Curtir as praias, passear pelos parques ou apenas descansar no Celi Hotel, seja qual for a programação, ao final da viagem, todo mundo quer levar uma “lembrancinha” do lugar. E as opções são as mais variadas: esculturas em madeira, biscuits em forma de Caju, camisetas com estampas divertidas… mas uma das coisas mais tradicionais e autênticas de todo o estado de Sergipe é o artesanato em renda.

A renda irlandesa é o grande destaque na produção de renda em Sergipe

A renda irlandesa é o grande destaque na produção de renda em Sergipe

E aqui em Sergipe, você vai encontrar os mais variados tipos de renda, a depender da região do estado onde ela seja produzida. Esta é uma curiosidade que poucas pessoas sabem. Na verdade, a produção da renda tornou-se uma característica e uma identidade para a região onde ela surge; e isto faz com que a produção seja ainda mais autêntica. É o caso da renda irlandesa. Ela transformou-se num dos artigos mais preciosos do estado e ganhou tamanho reconhecimento que o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) catalogou o processo no livro de Registro de Saberes; denotando a importância deste processo no artesanato nacional.

Com isso, a cidade de Divina Pastora passou a ser ainda mais conhecida e visitada, afinal ela é a responsável por grande parte da produção da renda irlandesa no estado de Sergipe, tornando-a numa das maiores expressões do artesanato local. Por isso, nada melhor do que um produto de alta qualidade, singular e que traduz a essência do trabalho artesanal sergipano para você guardar um pedacinho do nosso estado.

Tudo bem o nome ser “irlandesa” e não “sergipana”, afinal essa técnica de rendado nem mesmo surgiu na Irlanda: foi na Itália, no século XV, que se iniciou a produção das primeiras peças com esta identidade; posteriormente, a técnica foi repassada às missionárias irlandesas, que difundiram a produção da renda na Europa. Já aqui em Sergipe, mais precisamente na cidade de Divina Pastora, a renda veio através do imigrantes italianos, durante o período de colonização. Aqui, a renda é caracterizada pelo uso de lacê, um cordão sedoso, e manipulado cuidadosamente com linha e agulha, fazendo com que o produto final seja ainda mais sofisticado, seja ele um simples pano de copa, um belo vestido ou uma colcha, que vai deixar seu quarto bem mais bonito.

A produção da renda de bilro exige técnica, paciência e dedicação, e é  destaque no município de Poço Redondo

A produção da renda de bilro exige técnica, paciência e dedicação, e é destaque no município de Poço Redondo

Já em Poço Redondo, o destaque é para a renda de bilro: sua delicadeza confere ainda mais beleza para estes produtos. Difundida no semi-árido sergipano durante o século XVIII pelos portugueses que aportaram na região, esta técnica utiliza-se de um instrumento característico, o “bilro”, que é um pequeno pino de madeira. Vários bilros são presos a uma base almofadada – que é marcada com agulhas, para delimitar os desenhos da renda – e trançam as linhas amarradas a eles, criando formas em meio ao barulhinho bom do toque dos bilros. Um trabalho de habilidade e concentração, que é produz verdadeiras obras de arte.

Além destes, existem dezenas de outros locais que produzem estes e outros tipo de renda: na Barra dos Coqueiros, a renda de filé, tradicionalmente alagoana, também é muito produzida e consumida por locais e turistas. A renda tipo Renascença, uma renda de agulha tal como a renda Irlandesa, é facilmente encontrada no interior sergipano, principalmente na cidade de Japaratuba. Em todo o Sergipe, a cultura da renda é tão forte que em vários municípios é comum encontrar associações, cooperativas ou comunidades organizadas na produção deste tipo de artesanato. Afinal, os investimentos feitos tem gerando uma melhoria no orçamento familiar de grande parte dos envolvidos. Existem famílias que se mantém há gerações através dos trabalhos desenvolvidos com o artesanato de renda.

E não se preocupe: mesmo que você passe poucos dias em Aracaju e não possa ir a uma dessas cidades para comprar uma bela peça de renda, existem diversos centros de cultura e artesanato na capital onde as peças podem ser encontradas. É só escolher a sua preferida e investir em um produto que é muito mais que uma simples “lembrança”; é uma verdadeira obra de arte autenticamente sergipana. Esperamos que aproveitem estas informações para conhecer um pouco mais das tradições sergipanas, afinal, o artesanato é uma delas. Comente, critique ou mande sua sugestão. Queremos descobrir o que você deseja saber sobre Sergipe para que este seja o seu próximo destino.

Confira abaixo alguns dos locais onde você pode encontrar opções de peças de artesanato em renda na capital sergipana:

Centro Centro de Arte e Cultura J. Inácio, Orla de Atalaia;

Mercado Municipal, Centro Histórico;

Centro de Artesanato Chica Chaves, Orla do Bairro Industrial;

Centro de Turismo, Praça Olímpio Campos;

Feirinhas da Praça Tobias Barreto, aos domingos;

Passarela do Artesão, Orla de Atalaia – diariamente das 16 às 23h.

Fotos: site Turismo Sergipe e Infonet.

Aracaju: nossa história em museus

Aracaju é conhecida por sua tranquilidade, as praias de águas mornas e o povo hospitaleiro. Para ir além destas informações, que tal visitar um dos museus da cidade? “Ah, eu não gosto muito de museu!” Você pode até pensar desta forma; mas o Museu da Gente Sergipana não é um museu tradicional. O local onde foi fundado é um antigo prédio escolar, completamente restaurado para se transformar em um museu moderno e que expõe permanentemente sobre a cultura do povo sergipano. O prédio ganhou tamanho destaque pelo resultado do trabalho de restauro realizado, que ganhou um prêmio de “O melhor da arquitetura 2012”, fazendo com que este espaço na capital sergipana ganhasse reconhecimento nacional.

Interação e modernidade são marcas do Museu da Gente Sergipana

Interação e modernidade são marcas do Museu da Gente Sergipana

A partir de modernos recursos de multimídia, o visitante vai interagir com o ambiente das formas mais variadas: recitar cordel, descobrir palavras do dicionário “sergipanês”, conhecer a mesa virtual com as comidas típicas locais, “navegar” pelos nossos rios e muito mais, tudo isso de forma muito dinâmica e divertida. Isto, sem dúvidas, vai agradar adultos e crianças. A visita ao Museu da Gente Sergipana é um programa para toda a família!

O museu funciona de terça à sexta, das 10h às 17h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h. E, ao final do passeio, você escolhe: comprar algumas lembrancinhas na Loja da Gente ou comer um “Cachorro quente do parque” no Café da Gente, ambos funcionando como espaços anexos, mas em horários mais extensos; oferecendo a possibilidade de fazer compras ou jantar nestes locais, mesmo o museu já estando fechado.

“Então, eu que adoro museus também vou gostar, não é?!” Com certeza! E se você gosta mesmo de conhecer a história do lugar, uma visita ao Museu Palácio Olímpio Campos é parada obrigatória. Fica há aproximadamente 500m do Museu da Gente Sergipana e, através das visitas guiadas, você irá descobrir sobre muitos fatos interessantes do passado de Aracaju e de Sergipe.

O Museu-Palácio Olímpio Campos possui um dos maiores acervos de arte do estado

O Museu-Palácio Olímpio Campos possui um dos maiores acervos de arte do estado

O prédio fundado em 1856 e como antigo palácio do governo, foi restaurado 2007 e reinaugurado anos depois. Possui mais de 50 ambientes em dois andares que abrigam itens suntuosos do período em que a monarquia ainda reinava nas terras de Sergipe D’el Rey. Além dos salões nobres, gabinete do governador, quartos e salas diversas, o museu-palácio possui uma galeria de arte com um acervo que é um dos maiores do estado. O horário de funcionamento é de terça à sexta das 10h às 17h e aos sábados e domingos das 09h às 13h, e como fica no centro da cidade, você pode dar uma esticada no passeio para conhecer alguns dos nossos principais memoriais que se encontram pelo centro histórico. Mas esse será o tema do nosso próximo post.

Existem ainda outros espaços históricos na cidade, que retratam temas específicos, mantidos por instituições públicas ou privadas, como o Museu do Homem Sergipano, o Memorial de Aracaju, o Memorial da Bandeira… isso sem falar nos famosos museus das cidades do interior do estado, como São Cristóvão e Laranjeiras. Mas vamos continuar destacando as belezas e histórias de Aracaju em comemoração aos 160 anos da cidade. Está vindo pra cá e quer saber sobre um determinado local? Tem alguma sugestão para nossos próximos posts? Ou alguma crítica sobre o que já publicamos. Deixe seu comentário. Fazer deste blog um espaço colaborativo vai fazê-lo ser ainda melhor para você!

 

Fotos: Márcio Garcez (para ASN) e site do Museu Palácio Olímpio Campos.

Março: mês do aniversário de Aracaju, a capital sergipana e da qualidade de vida!

No dia 17 de Março, Aracaju completa 160 anos de existência. Uma cidade jovem, com um grande potencial econômico voltado para o turismo e cujo povo reflete toda a sergipanidade de quem nasceu aqui e de quem escolheu esta cidade para ser o seu porto seguro. Então, até o dia do aniversário da capital sergipana, nossos posts terão como foco as curiosidades da capital sergipana. E que tal começar hoje falando sobre o antigo farol da marinha?

O farol original de 1888, com estrutura metálica persistiu por mais de 100 anos sem qualquer tipo de reforma ou conservação.

O farol original de 1888, com estrutura metálica persistiu por mais de 100 anos sem qualquer tipo de reforma ou conservação.

A história deste farol está diretamente ligada à história da nossa cidade. Este monumento foi inaugurado em 1861, sendo o primeiro da cidade, construído em torre de madeira, a pedido do então presidente da província de Sergipe D’el Rey, o senhor Inácio Barbosa; e com o objetivo de orientar as embarcações que chegavam à foz do Rio Sergipe. Uma luminária e equipamentos para o farol foram importados da Inglaterra e utilizados durante mais de 20 anos. Em 1884, a base em madeira foi destruída por um incêndio, sendo providenciada uma torre provisória até 1886. A partir deste momento, se iniciou a construção de uma nova estrutura mais moderna e com base metálica, oriunda da França, com 35 metros de altura e que foi inaugurada no ano de 1888.

De lá pra cá, o farol funcionou diuturnamente até o ano de 1991, quando foi acesso o novo farol de Aracaju, no bairro Coroa do Meio. Em 1995, o monumento foi tombado pelo governo do estado como patrimônio público e, 12 anos depois, foi fechado para reforma, a fim de restaurar a estrutura do farol e construir um novo entorno com praça, espelho d’água, estacionamento, entre outros itens que tornaram o local um espaço de convivência e turismo. Isto ocorreu a partir de 2009, quando a reforma foi concluída e o local se tornou um novo ponto turístico da cidade, principalmente à noite, quando a iluminação cênica deixa o ambiente ainda mais agradável.

O novo farol foi reinaugurado em 2009.

O novo farol foi reinaugurado em 2009.

Apesar de ter ganhado uma enorme projeção após a reforma, o farol sempre foi o grande destaque da região, tanto que deu-se ao biarro em que foi construído o nome de Farolândia. Hoje, com 154 anos de existência, completamente renovado e mais jovem do que nunca, este é um dos faróis que possui maior destaque turístico no estado e um grande marco da cidade. Sua história está ligada diretamente ao nascimento de nossa capital. Por isso, quando vier a Aracaju, não deixe de conhecer esta região e este grande monumento. Procure mais informações deste patrimônio local, visite-o e descubra porque ele é orgulho de todos os sergipanos!

Com a reforma, o farol ganhou um entorno mais moderno e bonito

Com a reforma, o farol ganhou um entorno mais moderno